O Grupo Boticário começou neste mês um projeto-piloto de anúncios dentro do ChatGPT no Brasil, com a Make B., sua marca de maquiagem, como primeira do portfólio a testar o formato. A iniciativa foi revelada com exclusividade pela Fast Company Brasil em 21 de agosto de 2026, poucos dias depois de a OpenAI abrir os anúncios do ChatGPT para empresas brasileiras.
O lançamento comercial aconteceu em 11 de agosto de 2026, quando o Brasil entrou na lista de países com acesso ao Ads Manager da OpenAI, ao lado de Reino Unido, México, Japão e Coreia do Sul. Segundo a própria OpenAI, os anúncios só aparecem para usuários maiores de 18 anos dos planos gratuito e Go, não para quem paga Plus, Pro, Business, Enterprise ou Edu. Eles surgem depois do fim de uma resposta, identificados como conteúdo patrocinado, e a empresa afirma que anunciantes não têm acesso ao histórico, à memória ou às conversas dos usuários, só a métricas agregadas de desempenho.
Por que isso interessa a quem decide onde apostar com base em sinal, ainda sem prova definitiva de retorno: o Boticário não esperou o formato amadurecer. Entrou num piloto de um canal lançado há dez dias, sem histórico de resultado no Brasil, guiado por um indício específico de que a marca já tinha presença naquele ambiente.
Esse indício é um número: segundo levantamento da consultoria Ranqia, o Grupo Boticário apareceu em 98% das respostas do ChatGPT sobre as empresas mais associadas à inovação no Brasil, em junho de 2026.
Por que a aposta não nasceu do zero
O piloto com o ChatGPT é a etapa mais recente de uma estratégia mais antiga. Em 2025, o Boticário lançou uma assistente de IA no próprio e-commerce para ajudar consumidores a escolher produtos e presentes. Depois veio o projeto EssencIA, que usa referências visuais do Instagram do consumidor para sugerir fragrâncias. A empresa já vinha tratando inteligência artificial como parte de como entende o próprio consumidor, não só como ferramenta de produtividade interna.
O que muda quando a busca vira conversa
Durante anos, marcas disputaram posição em listas de resultado de busca, com estratégias inteiras de SEO construídas em torno disso. Num sistema como o ChatGPT, a resposta já vem pronta, interpretada e contextualizada, então a pergunta não é mais “em que posição eu apareço”, é “eu apareço dentro da resposta ou não apareço”. Esse deslocamento já tem nome no mercado: GEO, de Generative Engine Optimization, e marcas fora do Brasil já pagam para tentar influenciar o que chatbots respondem sobre elas.
O tamanho do movimento, em números
– O Brasil entrou na lista de anúncios do ChatGPT em 11 de agosto de 2026, junto com apenas mais quatro países.
– O Grupo Boticário apareceu em 98% das respostas do ChatGPT sobre inovação no Brasil, segundo a Ranqia, em junho de 2026.
– Só usuários dos planos gratuitos e Go do ChatGPT, maiores de 18 anos, veem os anúncios por enquanto.
Limite da evidência: o número da Ranqia mede frequência de menção nas respostas do ChatGPT, não preferência do consumidor, qualidade percebida do produto ou participação de mercado, e não há dado público, por parte do Boticário ou da OpenAI, sobre o desempenho real do piloto (cliques, conversão, custo). A reportagem também é de fonte única, revelada com exclusividade a um veículo, sem confirmação independente adicional até o momento desta matéria.
NOSSA LEITURA
Achamos que o mais revelador aqui não é o anúncio em si, é o momento da aposta: o Boticário entrou num canal sem métrica de retorno consolidada, usando como sinal um número que mede menção, não intenção de compra. Nossa aposta é que essa vai ser a assinatura do próximo ciclo de marketing: empresas decidindo onde investir com base em indícios de visibilidade dentro de respostas de IA, antes de existir benchmark de performance pra esse tipo de mídia. Vale observar se o piloto do Boticário gera algum dado público de resultado, ou se a aposta segue sendo só estratégica por mais um bom tempo.
IMPLICAÇÃO PRO GESTOR
Se sua marca aparece (ou não aparece) nas respostas de ferramentas como ChatGPT, essa é uma variável nova de visibilidade que ainda não tem manual de otimização consolidado. A decisão de testar cedo, como fez o Boticário, não vem de prova de retorno, vem de estar disposto a aprender num canal antes da concorrência descobrir que ele existe.
A disputa por atenção está se mudando para dentro da pergunta que o consumidor faz, não mais ao lado dela. Se testar cedo em terreno incerto é o que te move de verdade, descubra fazendo o Teste de Arquétipo, e receba esse tipo de leitura cruzada com seu arquétipo toda semana assinando o Boletim.
